24 de fevereiro de 2012

Cabeça Bem Feita - Edgar Morin (1)

Não temos mais o direito ao conhecimento. Sequer sabemos diferenciar o que é informação do que é conhecimento, e este do que é pensamento. Nosso conhecimento foi tão fragmentado em especialidades que perdemos a referência de um contexto universal para amarrar as informações. Todos os problemas pontuais só podem ser posicionados e pensados corretamente dentro de seu contexto, este, por sua vez, só faz sentido dentro de um contexto planetário.

Edgar Morin nos apresenta em seus ensaios o conceito de conhecimento e pensamento complexos. Complexo vem do Latim complexus, que quer dizer “aquilo que é tecido em conjunto”. Existe complexidade quando os componentes formam um todo, como economia e política. Essas partes são inseparáveis e formam um tecido interdependente, interativo, e inter-retroativo entre as partes. O retalhamento das disciplinas, doravante hiperespecialização, torna impossível aprender o complexo.

A hiperespecialização nos impede de ver o global, que ela fragmenta em parcelas, bem como o essencial, que ela dilui. Fragmentar o complexo em pedaços separados atrofia a possibilidade de compreensão e de reflexão, eliminando assim a possibilidade de um julgamento corretivo ou de uma visão a longo prazo. Tal fragmentação é fruto da expansão descontrolada do saber.

O enfraquecimento de uma percepção global leva ao enfraquecimento do senso de responsabilidade, bem como ao de solidariedade, castidade e caridade. Para termos um pensamento coeso, devemos aprender a recompô-lo ao invés de decompô-lo. Para isto, primeiramente devemos tomar consciência de que a informação não é um fim em si mesma. Esta nada mais é do que é uma parcela dispersa de saber, uma matéria prima que o conhecimento deve dominar e integrar. Este último, por sua vez, pode e deve ser permanentemente revisitado e revisado pelo pensamento a fim de não tornar-se obsoleto. Assim, podemos afirmar então que o pensamento é o capital mais precioso do individuo.

Devemos também, segundo o autor, tomar consciência de que o conhecimento só é útil se organizado, relacionado com as informações e inserido no contexto destas, caso contrário, só tem serventia para uso técnico. O conhecimento tornou-se reservado aos especialistas e hiperespecialistas, cuja compentência em um campo restrito é acompanhada de incompetência nos demais. Em tais condições, o cidadão perde o direito ao conhecimento, isto é, tem acesso a um conhecimento especializado, porém é despojado de qualquer ponto de vista globalizante ou pertinente. A perda do saber, muito mal compensada pela vulgarização da mídia, levanta o problema histórico, agora capital, da necessidade de uma democracia cognitiva.




Releitura do primeiro capítulo do livro 'Cabeça Bem Feita', do filósofo Edgar Morin.




Lucas Sequeira Cardeal 

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